Quarto dia de Visita do Papa Francisco ao Brasil

25/07/2013 10:59

Papa Francisco foi recebido pelo prefeito Eduardo Paes e pelo governador Sérgio Cabral. Esportistas como Carlos Alberto Parreira, Zico e jogadoras da seleção de vôlei estão no Palácio da Cidade. O  presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, entregou uma camiseta de presente ao papa. A solenidade é para entregar as chaves da cidade ao pontífice, que também abençoará bandeiras olímpicas.

Após abençoar as bandeiras, papa Francisco fez um breve discurso, de poucas palavras. Cumprimentou os convidados e pediu que rezassem por ele, a exemplo do que disse aos fiéis em Aparecida, nessa quarta-feira. Agora o pontífice segue para a Favela da Varginha. Parte do trajeto deve ser feita de papamóvel. As vias de acesso ao local estão fechadas. 

Apesar da segurança, o papamóvel é abordado por fiéis e para várias vezespara que o papa Francisco cumprimente e abençoe moradores. Muitas crianças são levadas até o pontífice. Moradores da favela da Varginha receberam o pontífice com balões brancos e amarelos, a cor do Vaticano. Eles se posicionaram ao longo da Rua Carlos Chagas, principal acesso da favela, que tinha um trecho protegido com grades de ferro. O acesso ao campo pela Rua Beira-Rio foi bloqueado e só deve ser reaberto depois que ele passar. O papamóvel segue até o campo de futebol onde o pontífice vai discursar. (Clarissa Thomé)

 

Papa visita favela no Rio

No quarto dia da viagem ao Brasil, papa Francisco visita a Favela Varginha, zona norte do Rio, onde vai discursar. No começo da noite, o pontífice participa de ato da Jornada Mundial da Juventude, em Copacabana. Nesta manhã, ele recebeu as chaves da cidade e abençoou bandeiras dos Jogos de 2016.

Papa Francisco conhece a Capela São Jerônimo Emilliani, na favela da Varginha. O pontífice fará uma celebração no local. O papa foi à Capela São Jerônimo Emilliani para abençoar o novo altar. O pontífice falou em português. Durante a breve cerimônia, ele entregou um presente ao padre responsável. Na saída da capela, ganhou uma faixa do seu time, San Lorenzo, entregue por crianças da comunidade.

Papa entrou na casa de um dos moradores, mas as imagens da visita não foram autorizadas.

Papa Francisco deixou a casa do morador Manoel José da Penha. Ele foi um dos sete selecionados para receber a visita do pontífice. Foi um encontro de menos de 10 minutos, que não foi filmado. O papa continua em caminhada em direção ao campo de futebol onde discusará.

"Esse dia histórico marcará nossa vida para sempre", disse o morador escolhido para ler um discurso de boas vindas ao papa Francisco, chamado por ele de "pai Francisco". O jovem falou sobre o "descaso" com que a favela é tratada pelas autoridades e destacou as benfeitorias feitas na comunidade depois do anúncio da visita do papa. Cerca de 1,1 mil pessoas moram na favela, composta por 353 domicílios. A comunidade tem 73% do lixo coletado, mas o restante é jogado em terreno ou rios. Apenas 46% têm acesso a coleta de esgoto. 

Papa Francisco: "Não é possível bater em todas as portas. Escolhi vir aqui, visitar a comunidade de vocês. A comunidade que hoje representa todos os bairros do Brasil", afirmou o pontífice em português. Aos moradores, o papa disse que, quando se compartilha algo com alguém, não se fica mais pobre, mas mais rico. "Sempre se pode colocar mais água no feijão. E vocês fazem isso com amor."

Papa Francisco: "Queria lançar uma pelo às pessoas que tem mais recursos, às autoridades: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário. Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo. Cada um, na medida das suas próprias possibilidades, saiba dar sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais", afirmou o papa em seu discurso de cunho mais social feito no decorrer da sua visita ao Brasil. Afirmou ainda que somente a cultura da solidariedade pode mudar a realidade.

Antes de chegar ao campo de futebol, onde discursou, o papa Francisco cumprimentou o pastor Eliel Magalhães, da Congregação Rosa de Saron da Assembleia de Deus. Magalhães conta que fez questão de abrir a igreja evangélica para oferecer água e banheiros para os fiéis católicos. Ele entregou um sermão para o papa e elogiou o gesto do pontífice de cumprimentá-lo, mas lembrou que Francisco é um "homem normal, de carne e osso e que demonstra fragilidade". "Há divergência de crença, mas o que contribui para a vida do ser humano é sempre bom", disse o pastor.

 

 

 

O papa Francisco também abençoou a menina Emanuela, de 4 anos, que estava com os pais, o engenheiro agrônomo Edson Fabiano Vasconcelos e cirurgiã dentista Juliane de Santana. "Ele pegou na minha bochecha. O papa me conhece", disse a menina. A família veio de Terra Rica (PR) para ver o pontífice. "Disseram que éramos loucos por trazê-la, ainda mais para uma comunidade. Nunca pensei que chegaríamos tão perto do papa", disse a mãe. (Clarissa Thomé)