Morte de família de policiais: fotos da cena do crime são divulgadas

10/08/2013 00:08

Imagens tiradas na casa onde a família de policiais militares foi encontrada morta, na Brasilândia, zona norte de São Paulo, foram divulgadas para a imprensa na última quinta-feira (8). As fotos mostram como os corpos foram encontrados no local e confirmam as informações passadas pela polícia de que Luis Eduardo Pesseghini foi morto deitado e Andreia Pesseghini estava ajoelhada na hora do crime. 

A polícia diz que é quase certa a versão de que o adolescente matou os pais, a avó e a tia-avó, entre o fim da noite de domingo (4) e a madrugada de segunda-feira (5) — quando os corpos foram encontrados — foi à aula com o carro da mãe e se matou no começo da tarde, quando retornou para casa, de carona com um amigo. 

Um laudo preliminar do IC (Instituto de Criminalística) indica que quatro pessoas mortas — pai, mãe, avó e tia-avó — estariam dopadas. A informação foi passada por fontes da TV Record. Além dessas vítimas, o filho do casal de 13 anos também morreu. A polícia afirma que o garoto é o principal suspeito do crime. 

Uma análise feita pelo IC no computador que estava na casa das vítimas também indica que, dias antes do crime, alguém pesquisou como dopar pessoas e como conseguir um sono profundo. 

Assista ao vídeo:

 

Embora a polícia sustente essa versão, o caso ainda tem perguntas em aberto.

- Quem ensinou Marcelo a atirar? A pergunta parece ter uma resposta fácil: seus pais, que eram policiais militares. Ainda assim, não foram apresentadas testemunhas para afirmar que os pais ensinaram o filho de 13 anos a manejar uma arma. Também chama a atenção no caso o grau de precisão dos tiros e a quantidade de disparos: cada vítima foi morta com uma bala na cabeça. Peritos só encontraram cinco cartuchos na casa (um para cada vítima e um para Marcelo), o que demonstra que o atirador acertou 100% dos disparos.

A polícia afirma que o crime parece ter sido premeditado. Como um adolescente de 13 anos consegue planejar tantos detalhes? Aqui dois perfis entram em choque. Parentes descrevem Marcelo Pesseghini como um menino protegido pelos pais, tranquilo, que queria ser policial como o pai e que sofria diversas enfermidades, sendo incapaz de cometer atos tão bárbaros. A polícia, embora aposte no depoimento de um amigo do menino, segundo quem Marcelo tinha fantasias constantes de matar os pais, não esclareceu como ele conseguiu planejar tantos detalhes e dissimular o crime antes de morrer. O computador do menino ainda está sendo periciado.

- O que o menino pegou no carro da mãe quando deixou a escola? Segundo depoimento do pai do amigo de Marcelo, o adolescente pegou uma carona com ele na volta para casa. No caminho, ele teria apontado para o carro da mãe, que estava estacionado próximo e pedido para que o pai do amigo estacionasse. Segundo o depoimento, Marcelo foi até o carro, pegou um objeto e voltou para o carro do pai do amigo, que não estranhou nada. Mais tarde, a polícia encontrou na mochila de Marcelo, já na casa dos pais, um revólver calibre 32.  

- Por que ninguém parece ter reagido aos tiros dentro da casa? De acordo com as investigações, três das quatro vítimas assassinadas na casa parecem ter sido atingidas enquanto dormiam – os corpos estavam deitados e não havia muito sangue espalhado. Uma das hipóteses levantadas pela perícia é que o adolescente tenha matado primeiro o pai, que estava deitado na sala, e, em seguida, a mãe, ambos no mesmo ambiente. Depois, ele teria seguido para casa no mesmo terreno onde estavam a tia avó e avó e voltou a atirar. Dos quatro, apenas a mãe não estava deitada - o corpo estava de joelhos, como se, nas palavras do delegado Itagiba Franco, ela tivesse tentado acudir o marido ou fosse forçada pelo atirador. Resta a pergunta de por que a avó e a tia avó não reagiram ou ouviram os tiros? Há hipóteses de que elas podem ter sido dopadas ou tenham ingerido medicação controlada, o que induziu ao sono. Um exame toxicológico para determinar essas possibilidades só deve ficar pronto em vinte ou trinta dias. 

- O que o menino fez durante as quase cinco horas em que teria permanecido no carro próximo à escola? Uma das provas apontadas na versão da polícia é o fato de Marcelo ter saído de casa levando o carro da mãe e estacionado o veículo próximo à escola. Uma câmera de segurança mostrou o carro seguindo por uma rua à 1h15, embora a polícia admita que as imagens não deixem claro se é mesmo Marcelo quem estava dirigindo. Às 6h22, outras imagens mostram Marcelo deixando o carro e seguindo a pé para a escola. A polícia ainda não sabe o que ele fez no veículo nessas cinco horas.  

- Por que Marcelo foi para a aula e depois voltou para casa? De acordo com o depoimento do amigo de Marcelo, o adolescente falava constantemente de um plano para matar os pais, pegar o carro e fugir. De acordo com a polícia, as duas primeiras partes do suposto plano foram cumpridas. Já a ideia de fugir acabou, de acordo com essa versão, se limitando ao percurso normal que ele fazia até a escola diariamente. Ele assistiu normalmente às aulas do dia e voltou de carona para casa, onde depois teria se matado. O motivo de ele ter adotado tal comportamento depois da matança ainda é um mistério.

Família de policiais militares é encontrada morta dentro de casa, no bairro da Brasilândia, Zona norte de São Paulo

Reconstituição - A polícia trabalha com a seguinte linha de investigação: no domingo, a família Pesseghini reuniu os familiares para um churrasco. O tenente da PM César Bovo, irmão de Andréia, viajou de Rio Claro (SP) para a capital paulista para a confraternização, que terminou por volta das 20 horas. Vizinhos relataram que a família costumava fazer churrascos nos finais de semana.

Na manhã seguinte, o sargento Luís Marcelo Pesseghini acordaria às 5 horas para fazer um "bico" de segurança. Andréia seguiria para o 18º Batalhão da PM onde trabalhava no setor administrativo. Marcelo iria à escola no bairro da Freguesia do Ó.

Seguindo a mesma profissão do pai e do irmão, Andréia era uma policial militar exemplar, segundo o seu comandante Laerte Fidelis. Em 2010, um problema na coluna a tirou das ruas e ela passou a executar serviços administrativos. Há 15 anos como militar, Luis Marcelo Pesseghini costumava levar seu filho para visitar a sede da corporação. Marcelo tinha um uniforme da Rota ajustado ao seu tamanho e, segundo familiares, falava que seguiria a profissão dos pais.

Entre meia noite e uma hora da manhã, vizinhos relataram ter desconfiado do barulho na residência do casal, como Rosemary Pereira Teixeira, de 50 anos, vizinha de frente da família.

Os disparos saíram de uma pistola .40, de propriedade de Andréia. Todos os tiros – a polícia encontrou apenas cinco cartuchos na casa – atingiram a cabeça das vítimas enquanto elas dormiam, com exceção de Andréia. Ela foi encontrada com um joelho apoiado no colchão e o outro no chão. A polícia acredita que, num momento de desespero, ela tentava socorrer o marido. O casal dormia num colchão no piso da sala devido ao problema na coluna de Andréia. 

Segundo as investigações, o sargento da Rota foi o primeiro a ser alvejado. Estava dormindo profundamente e uma das mãos segurava o colchão numa posição de conforto. A polícia o encontrou de bruços e coberto. O mesmo ocorreu com a avó e a tia-avó do adolescente Marcelo. Cada uma estava em uma cama individual, num sobrado no mesmo terreno.

Por volta da uma hora, Marcelo saiu de casa no veículo da mãe e dirigiu cinco quilômetros até chegar próximo ao colégio - as aulas só começam às sete horas. Ele posicionou o assento do motorista para trás e dormiu durante quase seis horas. Como sofria de uma fribrose cística aguda, doença que lhe causava transtornos respiratórios, trazia consigo rolos de papel higiênico na mochila.

Por volta das 6h23, uma câmera de segurança da rua Professor João Machado, na Freguesia do Ó, mostra o garoto caminhando na calçada em direção ao colégio. Na instituição, comportou-se como nos dias anteriores: alegre e dócil, segundo colegas e professores. Para alguns amigos, contou que aquele seria o seu último dia na escola.

Por volta do meio dia, Marcelo saiu da escola com seu melhor amigo – o mesmo que relatou à polícia que ele tinha fantasias de ser “matador de aluguel”. O pai do colega lhe deu carona até a sua casa. No caminho, Marcelo pediu para pegar uma coisa que estava no carro de sua mãe, que ele mesmo teria estacionado horas antes. A polícia suspeita que o objeto era o revólver calibre 32, encontrado posteriormente dentro de sua mochila. O pai do amigo estranhou o ocorrido e perguntou a Marcelo o que carro de Andreia fazia ali àquela hora. O menino respondeu que sua mãe estava trabalhando próximo ao colégio. 

Ao chegar à residência, Marcelo pediu ao pai do colega para não buzinar, pois o barulho poderia acordar o seu pai, que, segundo ele, dormia em casa. O garoto entrou na residência, largou a sua mochila na porta da sala, passou a mão na nuca da mãe – a polícia encontrou fios de cabelo na mão do garoto -, e deu um tiro na própria cabeça com a mesma arma que executara os outros familiares.

Fonte: R7 com Veja