Depósito de R$ 150 mil poderá agravar a situação do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro

06/08/2013 06:30

 

Mas o sinal nunca funcionou de verdade, o que levantou suspeitas sobre o que havia sido feito dos R$ 6,25 milhões repassados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.

Um depósito de R$ 150 mil na conta de um ex-assessor de Aguinaldo Ribeiro pode complicar a situação do ministro das Cidades, que esta semana começa a ser investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de envolvimento em irregularidades num projeto de implantação de banda larga gratuita em João Pessoa, batizado de Jampa Digital.
 
O GLOBO obteve cópia de duas transferências bancárias feitas em 31 de julho e 4 de agosto de 2009 na Caixa Econômica Federal (CEF), da conta de Pedro Vianna Torres, gerente da Servimaxx Comércio e Serviços Informática, para Erasmo Alex Souza Viana Barreto, filho de um antigo motorista do ministro, na época contratado do gabinete de deputado estadual. Ribeiro negou ter conhecimento da transação.
 
A Servimaxx atua em parceria com a Ideia Digital, empresa acusada pelo Ministério Público Federal de superfaturar em R$ 1,6 milhão o projeto de banda larga gestado quando Ribeiro era secretário de Ciência e Tecnologia em João Pessoa. Na última quinta-feira, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região enviou ao STF o inquérito da Polícia Federal sobre as fraudes na Paraíba. A investigação começou porque o projeto de banda larga não tinha saído do papel. Agora, o caso foi remetido devido à suspeita de participação de Ribeiro — o foro de ministros é o Supremo.
 
Projeto nunca funcionou - Lançado em fevereiro de 2010, o Jampa Digital prometia levar internet de graça para toda a cidade de João Pessoa. Originado de uma emenda parlamentar apresentada por Rômulo Gouveia, então deputado federal e hoje vice-governador da Paraíba, o projeto teve parte de seus recursos contingenciados, o que fez a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia optar por lançá-lo apenas na orla.
 
Mas o sinal nunca funcionou de verdade, o que levantou suspeitas sobre o que havia sido feito dos R$ 6,25 milhões repassados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
 
A investigação da PF terminou há duas semanas, e resultou no indiciamento de 23 pessoas. A Servimaxx pertence ao empresário Adriano Barcellos, que também é dono da LWS Serviços e Comércio em Informática. Barcellos é um velho conhecido do Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF), que o acusou de fraudar licitações de informática nos Correios.
 
De acordo com o MPF, a Servimaxx e a LWS operam no mercado com o nome de Lan Professional. A Lan e a Ideia Digital, empresa que executou o Jampa na Paraíba, não escondem o vínculo que mantêm. Atuam juntas no mercado, às vezes até dividindo projetos, como a rede que fizeram para a Universidade do Estado da Bahia. Na seção “Cases” do site da Ideia, ao descrever o projeto, a empresa chama a ligação entre as duas de “fortíssima relação de parceria”.
 
A dobradinha entre a Lan Professional/Servimaxx e a Ideia Digital fica ainda mais clara em outros dois textos do site da Ideia Digital, que falam de um evento para o mercado em que as duas se uniram para realizar, o Security Information and Event Managment, em um espaço para degustação de vinhos, em Salvador.
 
Em nota, o ministro Aguinaldo disse ser favorável à investigação do caso no STF, “para que seja esclarecido”. O ministro disse repudiar “as movimentações políticas que vêm acontecendo nos últimos dias, com tentativas de envolvê-lo para desviar o foco das investigações”. O GLOBO foi ao endereço de registro da Servimaxx, em Brasília, mas a empresa não funciona mais no local.
 
O empresário Adriano Barcellos não foi encontrado. Ao saber do assunto da reportagem, na sexta-feira, o assessor Erasmo se limitou a dizer que desconhecia o depósito e desligou o telefone. Sem conseguir localizar Pedro Torres, O GLOBO foi até seu endereço, em um bairro nobre de Brasília, mas o proprietário afirmou que o gerente da Servimaxx saiu de lá há um ano.
 
O Globo