TRAGEDIA EM SÃO PAULO: Adolescente foi à escola no dia das mortes, diz polícia

06/08/2013 15:43

 

Família de policial militar é encontrada morta dentro de casa, na Rua Dom Sebastião, no Bairro da Brasilândia, zona norte de São Paulo, SP, na noite desta segunda-feira (05)

Família de policial militar é encontrada morta dentro de casa, na Zona Norte de São Paulo, nesta segunda-feira(Reprodução/Facebook)

Uma testemunha ouvida pela polícia nesta terça-feira afirma que levou M.E.B.P, de 13 anos, da escola para casa nesta segunda-feira, mesmo dia em que toda a família do adolescente foi morta a tiros dentro de casa. Em entrevista ao SPTV, da Rede Globo, o comandante-geral da PM, Benedito Roberto Meira, afirmou que o depoimento dessa testemunha, ainda não divulgado, reforça a hipótese de que o adolescente teria matado a família e, depois, cometido suicídio. Os pais do garoto eram o sargento da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Luís Marcelo Pesseghini e a cabo do 18º Batalhão Andreia Regina Bovo Pesseghini. Também morreram a avó e uma tia-avó do adolescente que moravam no mesmo terreno.

O comandante da PM afirmou que a polícia tem imagens de câmeras de segurança que mostram uma pessoa estacionando o carro de Andreia próximo à escola onde estudava M., a 5 quilômetros do local do crime, por volta da 1h de segunda. De acordo com Meira, às 6h15, uma pessoa saiu do carro, colocou uma mochila nas costas e seguiu em direção ao colégio. “Tudo indica que pode ser M.”, afirmou o comandante da PM. Uma das hipóteses da polícia é que M. pode ter cometido os assassinatos entre a noite de domingo e a madrugada de segunda, dirigido o carro da mãe até a região da escola e, depois de voltar para casa, se suicidado.

A testemunha contou que começou a buzinar ao chegar à casa de M. para deixá-lo depois da aula. O garoto teria então pedido para que ele parasse, pois seu pai estaria dormindo. Em seguida, desceu do carro e entrou na casa. Na garagem da residência, a polícia encontrou a mochila do garoto com uma faca e uma arma calibre 32.

O delegado-geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Blazeck, afirmou que as investigações da Polícia Civil também apontam para a tese de que o adolescente tenha matado os familiares. "Nenhuma hipótese está descartada, mas a tese principal leva a crer que é uma tragédia familiar", disse.

Mortes – As cinco vítimas foram encontradas mortas na noite desta segunda-feira com tiros na cabeça. Inicialmente, a polícia trabalhou com a possibilidade de um ataque a PMs, hipótese que já foi descartada, segundo o comando da corporação. O Boletim de Ocorrência informa que não há sinais de arrombamento no local. A arma do crime foi encontrada debaixo do corpo do adolescente e o carro de Andreia abandonado perto da escola onde o garoto estudava.

Nesta tarde, os investigadores da Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) colhem depoimentos de testemunhas e familiares. Segundo um tio do adolescente, há mais policiais na família e ninguém nunca soube de problemas do casal com o filho. O menino seria dócil e teria diabetes, além de uma doença de pulmão.

Adolescente disse a amigo que queria matar os pais

 

Segundo delegado, melhor amigo de M., de 13 anos, contou que garoto tinha fantasias constantes com matar os pais, pegar o carro e fugir

O único amigo do adolescente M.E.B,P, de 13 anos, contou à polícia que o garoto tinha fantasias constantes de matar os pais, pegar o carro da família e fugir. As informações foram dadas pelo delegado responsável pelas investigações, Itagiba Moreira Franco, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O adolescente é suspeito de matar a tiros os pais (o sargento da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Luis Marcelo Pesseghini, de 40 anos, e a cabo do 18º Batalhão Andreia Regina Bovo Pesseghini, de 36); a avó Benedita Oliveira Bovo, 65, e a tia-avó Bernardete Oliveira da Silva, 55. Em seguida, M. teria se suicidado. O crime ocorreu nesta segunda-feira em Vila Brasilândia, Zona Norte de São Paulo.

Segundo apurou a polícia, M. era um garoto isolado, com poucos amigos e tinha muitas armas de brinquedo no seu quarto. Com papelão, ele chegou a improvisar um colete igual ao da tropa de choque da PM. Usando fita adesiva, confeccionou um coldre.

O adolescente que prestou depoimento para a polícia era o único amigo próximo de M. Também de 13 anos, ele estudava na mesma escola do suspeito. O delegado leu uma parte do depoimento em que o garoto conta: “Ele [M.] tinha um sonho de matar os pais, pegar o carro e fugir para um lugar abandonado. Ele vivia repetindo isso”.

Imagens – O mesmo garoto reconheceu M. nas imagens obtidas pela polícia que mostram uma pessoa estacionando o carro de Andreia próximo à escola do filho, a 5 quilômetros do local do crime, por volta da 1 hora de segunda-feira. Às 6h15, essa pessoa saiu do carro, colocou uma mochila nas costas e seguiu em direção ao colégio. O delegado afirmou que as chaves do carro de Andreia estavam no bolso de uma jaqueta do filho encontrada na casa onde ocorreu a chacina.

 

Apesar do inquérito ainda estar em aberto, Franco afirma que tudo aponta para uma tragédia familiar. “Tudo leva a crer que foi o M. quem cometeu os assassinatos”.

'Tudo leva a crer que foi garoto'

Janaina Garcia/UOLO delegado-geral afirmou que "tudo leva a crer" que o garoto matou os familiares e depois se suicidou, mas disse que as investigações ainda estão em andamento. "Nossa presunção inicial parece que está se confirmado, e tudo leva a crer que o garoto matou os pais e se suicidou."

Segundo o delegado, a pistola .40, que era da mãe e que matou os cinco, foi encontrada na mão esquerda de Marcelo, que levou um tiro do lado esquerdo da cabeça. Franco afirmou que a polícia tem certeza de que o garoto é canhoto.

De acordo com ele, a perícia identificou que o pai, a avó e a tia avó de Marcelo estavam de bruços, em posição de quem dormia profundamente, quando foram mortos. Já a mãe estava de joelhos, em posição de submissão, com os braços em frente à cabeça, o que indica que ela estaria acordada na hora do crime.

"Isso já nos chamou a atenção porque não é usual". Para Franco, se fosse um crime encomendado, "fatalmente teria briga, ou qualquer coisa do tipo". "Não foi isso que evidenciamos. Houve ali alguma coisa muito particular, muito familiar."

Franco afirmou que fios de cabelo foram encontrados na mão de Marcelo e serão periciados, a exemplo do computador do garoto, as armas e o Corsa Sedan. A perícia já coletou sangue das vítimas para saber se elas foram sedadas. O resultado deverá sair entre 20 e 30 dias.

No quarto de Marcelo, foram encontradas muitas armas de brinquedo, um coldre de ombro feito com fitas e um escudo de papelão imitando o utilizado pela Tropa de Choque. "Inconscientemente ele já vinha desejando essa atração por armas."

Marcelo tinha diabetes e fibrose cística, uma doença genética ainda sem cura, mas que se diagnosticada precocemente e tratada de maneira adequada, permite ao paciente ter uma vida praticamente normal. A polícia diz que não há indícios de qualquer relação entre a doença e a motivação dos crimes.

 

Os corpos foram liberados hoje pelo IML (Instituto Médico Legal) e já foram velados no cemitério Gethsêmani, em Anhanguera, zona norte da capital. Com exceção do corpo da tia de Andreia, supultado no mesmo cemitério, todos serão enterrados em Rio Claro (173 km de São Paulo).

Ao chegar ao DHPP, o tio disse que a família ainda não acredita que M. tenha matado os pais e se suicidado.

Os corpos das vítimas serão velados e enterrados nesta terça-feira no cemitério Gethsêmani, na Rodovia Anhanguera.